quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Nota 10 pra Obama!!!

Juro que eu não sabia: nos EUA as mulheres ganham menos que os homens ocupando os mesmos cargos! Isso é uma vergonha, Bóris Casoy! Mas isso vai mudar. Barak Obama acaba de sancionar a lei que obriga o pagamento de salários iguais! Ó xente, eu me orgulho desse moço! Entre no link e leia a matéria completa da Folha Online: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u495956.shtml

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Posse de Obama -- eu me emocionei

Dia desses vi num programa de tevê algo que partiu meu coração. Todos nós sabemos da nojenta segregação racial que grassava nos EUA 60 anos atrás; mas aquilo calou fundo no meu peito. Uma família de negros mostrava sua imensa alegria por ver que um negro fora eleito para a Casa Branca. Lamentavam, no entanto, que o chefe de sua família (tenho HORROR a esse termo, mas no momento não me ocorre outro melhor; ok, estou com preguiça de pensar) já houvesse morrido, e assim não iria ter a satisfação, o orgulho de testemunhar aquele acontecimento único. O referido senhor -- digamos que se chamava John --, nos idos de 1940, se tornou policial. Foram mostradas fotos dele e mais alguns de seus colegas, todos negros, do lado de fora da delegacia recebendo seus certificados. Por que do lado de fora? Porque negros eram proibidos de entrar em delegacias. Isso mesmo; eles eram tão policiais quanto os outros, arriscariam suas vidas tanto quanto os outros, mas não podiam entrar em seu local de trabalho. Também não podiam dirigir automóveis, e assim faziam sua ronda de bicicleta. Também não podiam inquirir suspeitos que fossem brancos. Não é preciso mencionar que seus salários também eram mais baixos.
Nada havia me preparado pra aquilo. Já ouvi coisas pavorosas do pessoal da KKK e cidadãos "honrados". Mas imaginar que policiais, homens que decidiram se dedicar a servir a comunidade passaram por tudo isso...
Então, lá estava eu zapeando quando... pá! Deparei com Obama e Michele caminhando de mãos dadas, sorridentes, seguindo pra a Casa Branca. E me lembrei de John. E fiz uma prece silenciosa por ele, por Luther King, por todos nós. Uma nova consciência sem dúvida alguma está vencendo todas as barreiras da ignorância. Impressionante como em meio a tanto sofrimento podemos ter certeza de que estamos evoluindo.
Senti uma grande paz ao ver aquela cena. Senti esperança.
Todas as bênçãos do Universo para aqueles que deixam suas consciências guiarem suas vidas. Esses são os imprescindíveis.

domingo, 30 de novembro de 2008

Autobronzeador: use!

Há uma semana venho usando a loção autobronzeadora do Boticário, e quero deixar aqui meu depoimento a quem interessar: estou com uma cor ma-ra-vi-lho-sa. Meu, cê não tá entendendo. Eu sou branca transparente, do tipo que só existe em países de primeiríssimo mundo _ Noruega, Finlândia... E na primeira aplicação, poucas horas depois, um lindo tom dourado _ dourado, e não vermelho-vela-de-macumba _ surgiu. Estou feliz da vida. Amo ser branquíssima, acho chique à beça, mas deu vontade de mudar. Afinal, nós, mulheres, usamos maquiagem, pintamos o cabelo, fazemos mil coisas pra quê? Não só pra ficarmos mais bonitas, como também pra mudar. É lúdico tudo isso. É nosso jeito de manter contato com nossa criança interior. Então, o negócio é o seguinte. Quer ficar com uma cor incrível sem estragar a pele tomando sol? Use autobronzeador. Os dermatologistas são unânimes em afirmar que eles não fazem mal algum, ao contrário. Eu recomendo com veemência o do Boticário porque é o que uso, e estou muito feliz (deu pra notar?). Dica: passe no rosto com pincéis: ao redor dos olhos com o pincel para corretivo; o restante, pincel para base. Assim vc não correrá o risco de ter alguma manchinha indesejável. Fica tudo uniforme, perfeito para arrasar!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Escrever bem pra quê?

Se eu tivesse optado por estudar jornalismo em vez de letras, hoje, provavelmente, estaria bem melhor na fita. É muito mais amplo o campo de trabalho para um jornalista que tenha um texto excelente como o meu do que para um profissional de letras. Eu, como profissional de letras, acabei me tornando especialista em trabalhar com livros. E às vezes se torna tããão frustrante trabalhar com livros! Ao menos quando o autor é estrangeiro tenho liberdade para mexer no texto; afinal, o original foi traduzido, e o tradutor não tem nada de reclamar (tem mais é de agradecer) quando o trabalho dele é melhorado. Mas com autor nacional é diferente. O camarada pode ser ruim de dar dó, mas ai de você se mexer em seu "estilo". Há quem pense que só quem é bom tem seu livro publicado. Ledo engano. Gente famosa e/ou cheia da grana e/ou com sobrenome importante; esses sim têm portas abertas em qualquer editora. Na verdade, não precisam procurar: elas vão atrás deles.
Estou soando como alguém frustrado? Pois é porque estou! Entendo perfeitamente que editoras queiram ganhar dinheiro -- como qualquer um de nós; eu especialmente, porque amo dinheiro. Mas não dar a menor chance a quem de fato sabe escrever?! Que droga, por que não nasci nos Estados Unidos? A esta hora eu seria disputada a tapa no mercado editorial brasileiro.
Bem, fica pra a próxima encarnação, se é que esse negócio existe (espero que não; uma vida só já é mais do que o suficiente). Quem mandou ter talento pra a escrita? Tivera eu talento para ser... digamos... neurocirurgiã e, além de bem mais útil, estaria ganhando uma bela grana por aí.
Bom, acho que já choraminguei o suficiente. Por ora basta.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Quero ser ghost writer

Não se iluda. Se você não é famoso, não é parente ou cônjuge de alguém importante, não é rico pra chuchu, terá abissais dificuldades para publicar seu livro. Se for algo que você quer muito, e para tal não medirá esforços, meu conselho é que procure um agente literário. O trabalho dele, entre outros, será batalhar editoras pra você. Mas não fica barato. Não é nenhuma exorbitância, mas pagar um valor mensal (o último que eu soube era de 350 reais) sem que nem assim haja garantia de que seu livro saia... Bom, pra mim não vale a pena. Cada um, cada um. E tem outra coisa. Venda de livro não dá dinheiro pra o autor. Sim, o Paulo Coelho ficou milionário, mas ele é aquela honrosíssima exceção que confirma a regra. O que se paga pro sujeito que ralou a mufa pra fazer o livro fica entre 8 e 10 por cento do preço de capa. Num país como o nosso, em que muuuitos acham que pagar 15 reais por um DVD legítimo é um roubo, tente adivinhar quanto vende um autor nacional e desconhecido. Sim, merrmão, o fato de ser autor nacional pesa, e não no bom sentido. Eu mesma recebi um e-mail de uma leitora, elogiando meu livro -- lógico! --, no qual ela dizia: "Vou ser franca com você. Se eu soubesse, antes de comprar, que você era brasileira, não teria comprado". Que sorte a minha ter sobrenome importado!
Não quero desiludir ninguém. Escrever é um verdadeiro tesão. Mas se você pretende ficar rico com isso, terá de contar com uma estrela do tamanho da do... Paulo Coelho. Não basta ser talentoso e ter ótimas idéias, de jeito nenhum.
Por isso eu adoraria ser ghost writer. Isso sim pode ser uma boa pedida. Assim, se vc conhecer alguém que tenha grana e muita vontade de escrever um livro, indique-o pra mim. O trabalho do ghost é justamente esse: fazer o texto de quem não é bom nisso, mas tem bala na agulha até, muitas vezes, pra bancar uma publicação inteira. Ou mais. Para se ter uma idéia, uma vez trabalhei na preparação de um livro em que o ghost ganhou 60 mil reais; e isso já faz alguns anos.
Bom, é isso. Um dia algum figurão ainda me procura, doido pra ter um livro muito bem escrito publicado por uma editora que o agarrará a laço, e eu ganharei uma baba. Não tô nem aí que o meu nome não aparecerá. Escrever é um trabalho como outro qualquer, embora não seja pra qualquer um.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

"A sociedade cobra..."

Essa é uma frase que me irrita profundamente. Vira e mexe eu a ouço, sobretudo pronunciada por mulheres. "A sociedade cobra que a mulher, hoje em dia, desempenhe vários papéis..." "A sociedade cobra que tenhamos filhos." Evidente que vivemos em sociedade e todos nós temos de dar nossa contribuição. O cidadão trabalha pra ganhar seu sustento, paga contas e impostos e tudo o mais que já sabemos muito bem. E ponto final. O que a sociedade tem de dar palpite na vida particular dos indivíduos? Eu não permito isso, de absolutamente ninguém. Que direito alguém acha que tem de dizer se devo ou não me casar, se devo ou não ter filhos, se devo ou não ser hétero ou homo? Ou seja lá que droga for? A sociedade não paga minhas contas, não enxuga minhas lágrimas, não me dá um tapinha de incentivo nas costas.
Não é possível que gente adulta ainda seja tão carente a ponto de precisar da aprovação de um porrilhão de pessoas pra se sentir bem. Por isso tateia às cegas, fazendo muitas coisas que não queria e deixando de lado outro tanto que adoraria fazer. Essas pessoas levam em consideração as opiniões e os desejos de pais, amigos, vizinhos e até de gente estranha, em detrimento da própria vontade. Altruísmo? De jeito nenhum. Fraqueza, falta de reflexão. Isso é falsa bondade, é hipocrisia. Se vc quer contribuir para o bem-estar de alguém, comece a proporcionar bem-estar a você mesmo; estando feliz vc não irá jogar nas costas dos outros todo o peso de sua cobrança. Sim, amigo, porque a cobrança sempre vem. Todo o mundo faz algo por algo. Veja o caso dos pais. Todos, cem por cento deles, dizem que querem que seus filhos sejam felizes. Agora, pergunte a eles: "E se seu filho só puder ser feliz sendo homossexual?" "Vire essa boca pra lá!", a grande maioria irá bradar. Ué! Mas não era pro pequerrucho ser feliz? "Claro. Contanto que..."
Por isso é que eu faço e ando pra o que pensam de mim, e sobretudo pra o que se espera de mim. Trabalho honestamente, pago meus impostos (muitos deles sob protesto, mas pago), contribuo o mais que posso para o meio ambiente. Agora, aquele que se achar no direito de me fazer perguntas de foro íntimo, de se intrometer naquilo que só diz respeito a mim, correrá o sério risco de ser colocado em seu devido lugar. Um curto e sonoro "Vá cuidar da sua vida", no mínimo.
"A sociedade cobra" de quem não tem coragem de não admitir essa cobrança. Seus amigos não entendem sua postura? Pois está na hora de você trocar de amigos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

UMA CRIATURA

Sei de uma criatura antiga e formidável
Que a si mesma devora os membros e as entranhas
Com a sofreguidão da fome insaciável.

Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga à maneira de abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.

Traz impresso na fronte o obscuro despotismo.
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e de egoísmo.

Friamente contempla o desespero e o gozo.
Gosta do colobri como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.

Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto areal um vasto paquiderme.

Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo,
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.

Pois essa criatura está em toda a obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto;
E é nesse destruir que as suas forças dobra.

Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida,
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a Morte; eu direi que é a Vida.

Machado de Assis